A Praça

A praça

Os Tabuados

Os tabuados! Uma obra de engenharia fabulosa e tradicional, que transforma a nossa linda Praça da Liberdade numa praça de touros rectangular, capaz de acolher gente e mais gente, o epicentro de tudo.

Os tabuados, prática ancestral de construção com madeiros assentes em covas feitas na calçada e presos entre si com parafusos e pregos (antes eram só pregos), dispostos na vertical e na horizontal com leve inclinação para as paredes dos edifícios existentes na Praça. Cobrindo a frontaria da Igreja, da casa Paroquial, dos Correios, Finanças e Conservatória, da antiga Câmara e também casas de particulares, os mesmos resultam num conjunto harmonioso por via de um sistema de equilíbrio de forças que permite, além de vedar a improvisada praça de toiros, acolher debaixo da armação de pranchas de madeira apoiadas em madeiros colocados na vertical e horizontal e ligados entre si, centenas de pessoas de menos posses e que não pagam nada, colocando bancos ou tábuas devidamente assinaladas pelos próprios. Em cima desta estrutura dividida em vários espaços também denominados “Tabuados” (como o da Música, que acolhe a Banda de Música, convidados da Câmara, apoderados e familiares dos toureiros, ganadeiro e festeiros), as pessoas pagam a entrada que reverte para ajudar a pagar a própria Festa. A Praça da Liberdade, carinhosamente e de tempos imemoriais denominada apenas Praça, transfigura-se e torna-se um rectângulo mágico cujo chão se vai encher de areia, acolhendo os encerros pela manhã de cada dia festivo, e as touradas à Barranquenha pela tarde, o prato forte das Festas de Barrancos, vulgo Fêra.

Património Cultural como o defendia o arqueólogo e Prémio Pessoa, Dr. Cláudio Torres. É uma estrutura única feita por mestres construtores que dominam a arte da carpintaria, um saber que foi passado de pais para filhos, e que desde 1987 até agora é executada pelos trabalhadores do Município, perfeitamente de acordo com as mais elementares regras de segurança.

Uma alegria quando os começam a construir, uma tristeza quando os desmontam. O que se vai ver sempre mal se chega a Barrancos, a ilusão das crianças feita realidade e o regozijo de todos os barranquenhos. Mas quantos cabem nela? E como?
Muito bem, nos tabuados nº 1 ( frente à Torre do Relógio ) e nº 2 (do lado da Igreja) e só na parte de cima são cerca de 800 lugares pagos.
Debaixo dos tabuados são aproximadamente 800 lugares não pagos.
Antes eram vários tabuados feitos e explorados por particulares, que os arrematavam em leilão que antes da Fêra, mais concretamente a 18 de Agosto de cada ano se efectuava em plena Praça, posteriormente e como não eram muito seguros, a Câmara efectuou um referendo local após o que tomou a seu cargo a construção dos mesmos, agora já é uma mistura da sabedoria ancestral com tudo bem numerado e encaixado!!
É mais ou menos isto, de forma resumida, e sem esquema de montagem! As pessoas sabem onde colocar cada madeiro!

Mais os que ficam dentro da própria praça, que são muitos, e que se penduram nos paus dos tabuados, detrás das porteiras e nunca se pode precisar o número! Mais as casas particulares e sociedade que dão para a praça.
Ou seja, temos sempre um “lleno total” que nos dá aquelas imagens espetaculares das corridas.

Pode-se afirmar que este é um emblema identitário desta terra. Tudo gira em torno deles, desde os encerros pela manhã, às touradas pela tarde, até aos espectáculos nocturnos, onde os tabuados servem de plateia para a grande moldura humana que enche a Praça!

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